Poema 20, Pablo Neruda

Posso escrever os versos mais tristes esta noite... 
A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe. 
O vento da noite gira no céu e canta. 
(...)
Já não a amo, é verdade, mas quanto a amei.
A minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A sua voz, o seu corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame.
O amor é tão curto, e o esquecimento é tão longo.
Porque em noites como esta tive-a entre os meus braços,
a minha alma não se contenta com a haver perdido. 
Embora esta seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que eu lhe escrevo. 


Extraído da IA

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